O Programa de Rádio que virou Podcast que virou Blog
Começo hoje um novo blog. Desta vez ele acontece pela necessidade de se parar de planejar e colocar em prática o muito pensado e pouco feito. Tentarei escrever diariamente ou pelo menos com alguma frequência regular que ainda definirei, veremos - sem pressão nem promessas. Tentarei consistentemente reservar um tempo para estes textos, os quais ousarei chamar de crônicas, uma vez que creio que serão textos contemporâneos, falando de assuntos do cotidiano e, inevitavelmente, refletindo ou opinando sobre os mesmos, não sei direito ainda.
A inspiração para dar início a esse blog aconteceu durante minha caminhada com meus cachorros por volta do meio-dia de hoje. Na verdade, começou bem antes disso. Faz um tempo que estou ruminando um projeto de criar um podcast. Para ser ainda mais sincero, faz muito mais tempo do que isso. Creio que, de certa forma, a ideia do que hoje é este blog, começou quando estava na terceira série do primário, quando pela primeira vez, se bem me recordo, imaginei que gostaria de apresentar um programa de rádio. Na época, eu estudava numa escola que era muito próxima a uma das saídas de minha cidade natal, no Juca Loureiro, lá em Espírito Santo do Pinhal. Por uma questão de falta de recursos, na minha sala de aula havia alunos da terceira e da quarta séries juntos. Alguns desses meus colegas vinham das fazendas próximas em peruas da prefeitura. Havia também um outro colega que gostava de cantar músicas sertanejas e, pela minha lembrança, o fazia muito bem, quando havia festas e comemorações na escola. Os que vinham das fazendas comentavam que ouviam aquelas músicas no rádio, quando estavam vindo para as aulas. Imagino que foi dessa imagem criada na minha cabeça de criança que comecei a me imaginar apresentando um desses programas matinais, dando bom dia às pessoas que acordavam cedo para sair para trabalhar nas fazendas, nas pequenas fábricas de nossa cidade, onde quer que fosse. Lembro de alimentar esse sonho por um bom tempo, selecionando as músicas que tocaria, sempre incluindo "Obrigado ao Homem do Campo", de Dom e Ravel, obviamente. Imaginava vinhetas, frases que diria e que seriam minha assinatura no áudio e outras criatividades de uma mente infantil e livre. Estas viraram imaginações adolescentes, e mesmo depois de jovem, adulto, sempre morou num canto escondido de minha mente e de meu coração. Lembro de tempos em que este programa matinal virou um programa do final do dia mais romântico, depois virou um programa de madrugada para aqueles que trabalham durante toda a noite, depois virou um programa de horário de almoço e, pelo que me lembro, nas últimas atualizações do sonho de apresentador, o programa de rádio seria um programa semanal, com entrevistados diversos e músicas de suas memórias, certamente muito inspirado no programa "As Músicas que Fizeram Sua Cabeça" que Ivete Brandalise apresentava na FM Cultura de Porto Alegre.
Bem, nos últimos anos o programa de rádio virou um Podcast na minha cabeça. Achei que seria melhor assim, pois poderia gravar meus programas na velocidade e na frequencia que quisesse, e os ouvintes os ouviriam também cada um a seu tempo. No Podcast pensado relembraria músicas, notícias e fatos diversos de minha infância e adolescência. Assim como os diversos programas de rádio, o podcast também não aconteceu, pelo menos ainda não.
Mas, como eu dizia, hoje eu caminhava com meus cachorros. Um deles, Minnetonka, comumente se comporta de forma teimosa. Às vezes quero virar a esquina e ele quer cruzar a rua. Se o forço a me seguir, ele simplesmente se senta ou se deita. Normalmente acabo carregando-o por um bom tempo na direção que quero e depois ele se conforma. Hoje, decidi fazer diferente. Se ele mostrava desejo de cruzar a rua, eu o fazia; se ele quisesse virar, eu virava; se ele quisesse parar, eu parava. Enfim, deixei que ele me guiasse. Preciso dizer que em minha cabeça durante a caminhada eu estava imaginando o tal podcast, pensando em episódios, selecionando músicas e comerciais da época (incluindo Café Seleto, Groselha Vitaminada Milani, Bala de Leite Kids, entre outros). E assim seguia, deixando-me ser guiado na caminhada, enquanto alimentava na minha cabeça outro sonho. Num momento em que Minne simplesmente decidiu deitar e rolar num gramado, me dei conta de que suas opções provavelmente eram melhores do que as minhas. Se ele me deixasse decidir, provavelmente estaríamos andando em calçadas cimentadas e limpas. Com ele tomando as decisões, estávamos num lugar mais prazeroso, à sombra de várias árvores e ele com seu irmão Churros se deliciavam na grama, enquanto eu estava sentado na mesma grama observando a alegria e o indisfarçável prazer dos dois.
Neste momento me veio à cabeça minha pergunta favorita: por que não? Por que não mudar o sonho e fazer algo? Por que não fazer o que a vida me apresenta, ao invés de ficar insistindo em algo que poderá nunca acontecer, como o programa de rádio que não tem acontecido por mais de quatro décadas? Cheguei em casa e decidi começar a escrever. Além de ser das atividades que mais amo fazer, estaria me colocando na estrada novamente. Não poderei tocar as músicas que imaginei, mas poderei falar delas, e você facilmente poderá encontrá-las na internet, assim como os saudosos comerciais, ou fatos históricos. Poderei fazer o que quiser, principalmente começando assim, sem compromisso, sem horário e nem público-alvo definido.
O canal está aberto. Espero que seja tão prazeroso para você me ler, como é para mim escrever, como é para mim ler vários escritores que admiro. Não há um telefone para tocar no ar, para que eu converse com meus ouvintes, mas há muitas formas de me contatar, nos comentários, por e-mails e muitas outras opções.
A música tocando no momento é de antes do meu tempo: Janis Joplin está cantando "Me and Bobby McGee", de Kris Kristofferson. Ouça, se tiver uns minutos livres.
"Freedom is just another word for nothing left to lose. Nothing doesn't mean nothing, honey, if you ain't free. And feeling good was easy, Lord, when he sang the blues. Feeling good was good enough for me, good enough for me and my Bobby McGee"
Liberdade é só uma outra palavra para quando não se há nada mais a se perder. Nada não significa coisa alguma, querido, se você não é livre. E se sentir bem era fácil, Senhor, quando ele cantava o blues. Sentir-se bem era o suficiente para mim, para mim e para meu Bobby McGee.
Creio que foi essa liberdade que me fez começar esse blog que não necessariamente trará notícias do norte.
Agradeço por ter-me lido.

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