Falemos do Passado, pois o Presente Está Complicado
No sábado li um artigo na Folha de Ana Estela de Sousa Pinto que falava de um estudo mundial que é feito desde 1900 pela Universidade de Würzburg sobre Democracia, chamado de a Matriz da Democracia ou DeMaX, no original. Este estudo já abrange quase 180 países e tem dados do Brasil desde os anos 30. No artigo, a jornalista fala sobre o que ela chamou de desdemocratização do mundo. Ela fala sobre vários países, iniciando pela Índia e mostra esta tendência mundial nos últimos anos de uma perda de liberdades em termos gerais, Não entrarei muito em detalhe aqui, pois vocês podem ler o artigo no link compartilhado.
Eu, como você deve imaginar, fiquei curioso com o artigo e fui pesquisar o tal estudo e encontrei o original do mesmo (aqui). Claro que não fiz isso para verificar o que estava no artigo, mas para ver informações do Brasil, dos EUA e outros indicadores que eles fornecem. Bem, desde sábado estou tentado a falar sobre o assunto. Porém, apesar de achá-lo interessante e de ter vários pontos de vista e opiniões sobre o mesmo, estou evitando falar do mesmo, pois inevitavelmente falarei direta ou indiretamente de política. Ou seja, se você também ficou curioso e quiser saber mais sobre o tal estudo, como funciona e quais os resultados encontrados para 179 países do mundo, é só seguir o link que compartilhei (em inglês) e tirar suas próprias conclusões.
Então, para não falar desse assunto tão presente, falarei de algo que me aconteceu hoje e me remeteu ao passado. Hoje, na verdade, várias coisas me remeteram ao passado. Eu moro em Minneapolis e hoje tive que ir até St Paul, que é a cidade vizinha, onde morei quando vim para os Estados Unidos, de 2009 até 2012. Tempo esse que foi bastante rico de experiências, aprendizados, quebra de verdades absolutas (para não dizer paradigmas), e de muitas situações bastante difíceis, que sinceramente não desejo para ninguém. Pois bem, como estava dizendo, hoje acabei indo para St Paul e decidi sair do caminho mais rápido para passar na frente dos lugares onde morei naqueles anos, assim como por várias ruas por que andava e lugares que frequentava, naquela busca nostálgica que de tempo em tempo fazemos de nossos passados. Já havia passado pela redondeza algumas vezes desde que voltei para cá, mas hoje foi de certa forma diferente. Certamente a diferença foi mais interna do que externa. Creio que hoje olhei mais olhado, inlcusive tentando me colocar de volta naqueles lugares e me imaginar vivendo aquela vida de não tanto tempo atrás assim. Vi que a maioria dos prédios, ruas, comércio estão no mesmo lugar, quase do mesmo jeito. O posto de gasolina da esquina de casa, onde comprava dois cachorros-quentes por um dólar, mudou de nome e fechou. O café e a pizzaria ainda estão lá. A área comercial nas quadras do encontro da Cleveland com a Ford mudou bastante, com novos restaurantes, e parece mais legal do que minha memória me diz que era há dez anos.
Passar por lá e quase me perder, como fiz, me fez bem, me fez reflexivo e principalmente me trouxe sentimentos de gratidão pelo vivido e quase de um orgulho próprio, se me permitem, também pelo vivido e principalmente pelo como o fiz. Não foi fácil, não recomendo, nem desejo para ninguém, mas também não trocaria este tempo que me foi tão caro e raro, se não se importam com o eco, por outros anos que fossem mais calmos e seguros.
Depois, há pouco, em casa, um amigo dos tempos de Almeida Vergueiro (colégio da foto), do começo dos anos 80, me aparece na mídia social, solicitando amizade. Sentimento bom de rever pessoas queridas que não vejo há mais de trinta anos, mas que nos conhecem de um tempo especial de nossas vidas. Ainda ontem, conversava com um amigo aqui nos Estados Unidos que disse que estava preocupado com um de seus filhos que está na sétima série e está tendo todas as aulas on-line. A principal preocupação desse pai, e que me chamou a atenção, não foi a suposta qualidade de ensino, ou o trabalho extra que ter o filho em casa pode dar, mas foi o fato de o filho estar perdendo a oportunidade de conviver com seus amigos nesta fase da vida, quando se está na sexta, sétima, oitavo série. Quando, segundo ele, e tenho que concordar, amizades para a vida inteira são criadas. Hoje o contato desse amigo daquela época veio para ilustrar a conversa de ontem.
Ainda falando de saudades, hoje a dona Luzia completaria oitenta e quatro anos de vida. E esse é o primeiro aniversário que ela está perdendo de comemorar.
Agradeço muito por ter-me lido.

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